Ao lado da amiga travesti Luana, Júlia cria novas formas de pertencimento e reinventa a ideia de família. Ao tensionar as fronteiras entre fé e reconhecimento, o romance mostra como o afeto pode se tornar um gesto de restituição em meio às violências cotidianas e a construção da identidade.A ficção atravessa as memórias, os afetos e os territórios da personagem travesti — da infância à vida adulta — para revelar a origem de seu verdadeiro nome. A pista é onde o corpo cresce; a literatura, onde ele se firma, principalmente quando a menina se depara com uma escritora consagrada e vive com ela uma amizade.
As lembranças retornam sem cronologia: os fantasmas da família, os traumas, o amor e a pergunta “quem sou eu?”, que ressurge de forma implícita e convida o leitor a se perguntar junto. A narrativa se molda como um gesto de redesignação: nomear, ouvir e escrever a si mesma é afirmar escolhas diante daquilo que foi imposto: "agora eu decido quem sou e como conto isso."